A tatuagem e o preconceito por causa da tattoo

Entre os povos que a criaram, a tatuagem era, e ainda é, parte da cultura dos ritos de passagem e das diferenças entre tribos e classes sociais. O problema começou quando os europeus tomaram para si o hábito de tatuar a pele. Os marinheiros das expedições capitaneadas pelos desbravadores da Oceania, como John Cook, foram os primeiros a levar ao Velho Mundo as próprias cútis com os elaborados desenhos.

A tatuagem foi banida e proibida na Europa no primeiro século depois de Cristo pelas autoridades religiosas, por ser considerada um vilipêndio à santidade do corpo, que era considerado o “templo do Espírito Santo”. Junte-se a isso a má fama que os marinheiros tinham (essa classe de profissionais era formada primordialmente por ex-detentos e condenados pela Justiça à prisão ou à forca) e teremos a gênese do preconceito contra tatuagens.

O preconceito contra tatuagens na era moderna

Boa parte do preconceito contra tatuagens provém da cultura cristã, como citado acima, mas havia também uma grande questão social que embutia ainda mais preconceito contra os desenhos feitos na pele. Os primeiros homens a aparecerem em público com tatuagens eram os já citados marinheiros, cuja má fama os precediam. Junte-se a isso o hábito que a Igreja Católica tinha de estigmatizar algumas pessoas que cometiam “pecados” com letras e desenhos tatuados, e temos aí uma união de ideias que levou a seguinte linha de raciocínio:

  • Pessoas tatuadas pela Igreja eram pecadores, portanto indignos.
  • Marinheiros tatuados eram prisioneiros condenados e que cometeram crimes diversos.
  • Portanto, toda pessoa tatuada era um potencial criminoso ou pecador.

Esse silogismo simplista deu à tatuagem (ou tattoo, como imortalizado pelo capitão John Cook) o terrível estigma de “coisa de pessoas sem valor social”, ou simplesmente “coisa de bandido”.

A tatuagem e o preconceito hoje

A tatuagem passou quase todo o século XX sofrendo com o preconceito ancestral herdado desde a Idade Média, mas graças ao culto à personalidade criado pela mídia para poder falar sobre cantores, atores e diversas personalidades notórias, a tatuagem começou a ser vista também como uma forma de expressão artística. A partir da “invenção da juventude” como mercado consumidor, em meados da década de 1950, e dos ditames estéticos propagados pelos ídolos desta juventude, principalmente cantores de rock, a tatuagem começou a sair do gueto e invadir os “grandes salões da sociedade”.

Se hoje os estúdios de tatuagem multiplicam-se graças a uma horda crescente e insaciável de jovens e adultos que aderem à tatuagem como forma de expressão e homenagem, há também um grande preconceito profissional contra a tatuagem, principalmente nas profissões mais tradicionais, como médicos, engenheiros e advogados. A visão do público ainda é altamente preconceituosa, e isso dita a contratação ou não de um profissional tatuado.

A tatuagem não é mais demonizada pela população como antigamente, e isso se deve à adesão de pessoas famosas que são adoradas pelo público e que aparecem ostensivamente na mídia mostrando sem pudor as tatuagens que cobrem partes visíveis do corpo. O principal foco de preconceito contra tatuagens ainda é o mercado de trabalho, mas setores mais conservadores da Igreja católica, seitas neoevangélicas e até mesmo cidades interioranas com prefeitos conservadores mantêm a tatuagem em um gueto de desprezo, ojeriza e até mesmo ódio.